Mari Bueno pinta arte sacra com jeito da Amazônia

 

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As obras da artista plástica Mari Bueno com características da Amazônia já são consagradas. Mas desde 2006, ela se empenha em uma temática especial: Arte Sacra.

A ligação com a arte sagrada surgiu pelo convite do padre João Salarini, primeiro pároco da Paróquia Santo Antônio , em Sinop, e de Dom Gentil de Lázari, bispo da Diocese Sagrado Coração de Jesus que abrange toda a região Norte de Mato Grosso. A sugestão inicial era pintar o espaço litúrgico da Catedral Sagrado Coração de Jesus, conhecida como Catedral da Amazônia.

“Considero Padre João meu padrinho na arte sacra, pois por intermédio dele cheguei à Catedral e também com o apoio e credibilidade recebida de Dom Gentil. E sem o trabalho incansável do atual pároco da Catedral, Padre Valdir Luiz Koch, para conseguir captar 100% dos recursos aprovados pelo Projeto Cores da Catedral (Lei Rouanet) nas empresas locais e regionais, este trabalho não teria sido concluído. Além, disso padre Valdir sempre me auxilia nos estudos teológicos e litúrgicos para compor as obras da igreja e foi um dos incentivadores para eu fazer a pós-graduação em arte sacra”. explicou Mari.

As pinturas planejadas para o interior da Catedral de Sinop abrangem o painel do presbitério com o Bom Pastor na floresta amazônica, o painel da Pia Batismal, as portas e os quatro painéis das laterais que são os dos quatro elementos da natureza: água, ar, terra e fogo.

Além da pintura do interior da Catedral da Amazônia, a artista projetou a reforma do espaço litúrgico da paróquia São Camilo de Lélis, em Sinop, e pintou o painel do presbitério. Também desenhou o espaço litúrgico da igreja Nossa Senhora Aparecida de Nova Ubiratã (MT) e pintou o painel da Capela do Hospital Santo Antonio, em Sinop.

“O trabalho que a artista plástica Mari Bueno realiza é um trabalho que consegue tocar o coração das pessoas por que é fruto de muito estudo e de respeito pelas normas litúrgicas do ambiente celebrativo, por que preserva os princípios da arte sacra que a Igreja nos apresenta e por que consegue integrar o sagrado com as carasterísticas próprias da Amazônia, sua fauna e flora”, explicou padre Valdir.

A artista concilia a pintura de interiores de igrejas com as telas sacras. Baseada na liturgia catequética e na intenção de ligar o homem ao sagrado e seus mistérios. A maior parte da referência vem de dois pintores italianos (Fra Angélico na sua espiritualidade e Giotto por sua expressividade magnífica).

Ela imprime sua marca registrada em todas as obras sacras: a regionalização das características da população local e dos povos da região Amazônica.

A artista disse que, pintar uma tela ou painel sacro é bem diferente de temáticas como fauna e flora, por exemplo. Segundo ela, há uma linguagem própria que deve ser respeitada, pois segue critérios litúrgicos e bíblicos que provém desde o início do cristianismo.

“Não é uma arte somente decorativa, ela contém um forte cunho catequético e de ligação com a fé. Exige estudo e muitas horas de leitura e reflexão. Tem fundamentos que precisam ser seguidos. Uma função que precisa ser respeitada e alcançada. Por isto também acho importante a inculturação na arte sacra, pois auxilia nesta identificação do fiel e o conduz pelos elementos que são familiares. É uma responsabilidade muito grande desenhar e pintar arte sacra, pois ela deve ser executada sempre com concentração, oração e muito respeito. Peço sempre a Deus muita luz para que consiga realizá-la da melhor forma possível e que esta arte atinja seu verdadeiro objetivo, que é o de ser um elemento litúrgico e auxiliar o fiel no encontro com o Sagrado”, disse a artista.

Doutor em administração de empresas, professor da Universidade Estadual do Norte de Mato Grosso (Unemat) e estudioso em assuntos ligados à Amazônia, Fiorello Picoli, entende que, vida, esperança e espiritualidade fluem por meio das obras da artista.

“Mari Bueno é a representação máxima das artes em Sinop e temos orgulho de suas criações reconhecidas mundialmente. Ela consegue se integrar à exuberante natureza regional. Manifesta no silêncio a arte dos significados entre o real, o fantasioso e o espiritual. Nos faz acreditar na superioridade da mãe natureza”, destacou Picoli.

A técnica usada, é pigmento sob textura, também utiliza uma criada por ela própria, feita com pó-de-serra (resíduos de madeira) recolhido nos lixões das madeireiras.

Todas as obras da artista são expostas, de forma permanente, na Galeria de Artes Mari Bueno, que fica na rua das Pitangueiras, 1258, no Centro de Sinop.

A visitação é aberta e gratuita a todo público de segunda a sexta-feira em horário comercial. Outras informações e fotos das obras estão no site www.maribueno.com.br
Nara Vendrame/Black & White Comunicação

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